08/04/2009
"O conhecimento nos leva a lugares inimagináveis"

A opinião dos jovens estudantes que participam Desafio National Geographic também é muito importante. Afinal, todo o esforço da equipe que coordena o Desafio e dos educadores nas escolas é justamente motivá-los e estimulá-los para que se conscientizem de que o conhecimento é uma passagem segura que pode levar a grandes conquistas. Por isso, fizemos um convite para que Rebeca Thaís Vunjão Souza, de Salvador (BA), nos enviasse um texto relatando sua experiência em 2008. Ela foi a terceira colocada na edição passada.
"Ao ouvir meu nome sendo anunciado como terceira colocada naquela noite, sinceramente não acreditei no que estava acontecendo. Tudo começou com a mobilização de alguns alunos e professores, cartazes foram espalhados pelo Colégio Militar de Salvador, onde estudo, e o site do Desafio foi divulgado. Pensei que seria mais um simples concurso que não levaria a nada. Assim como eu, creio que muitos outros pensaram da mesma forma. Visitei o site do evento pouquíssimas vezes e numa manhã como todas as outras no colégio as aulas foram paralisadas para a aplicação das provas. Assumo que fiz descrente do sucesso, mas já que dispunha de um tempo reservado somente pra isso, levei o mais a sério que pude.
Tempo depois soube que eu e muitos amigos meus havíamos passado para a segunda fase. O colégio disponibilizou um ônibus que nos levou à escola-sede em Periperi. Para essa prova admito que estudei pouco. Entretanto, não tive muitos problemas com as questões objetivas e a redação também não foi complexa. Apesar disto, ainda não estava confiante e por conta do pouco tempo para a realização achei minha redação ruim. Depois de algum tempo a tenente Maria Márcia, oficial responsável, ligou pra minha casa superfeliz e falou: “Arruma sua mala que você vai pra São Paulo e leva agasalho que lá faz frio”. Eu e mais três amigos (João Conrado, Gustavo da Paz e Alan Fonseca) nos classificamos para a Fase Final e dentro de alguns dias estaríamos em São Paulo.
Não tive muito tempo pra estudar por causa de trabalhos e provas do colégio, mas me sentia mais confiante. Não sentia a obrigação de ganhar, mas uma obrigação, comigo mesma, de aproveitar o máximo possível, fazer contatos e conhecer coisas novas.
A viagem foi um pouco cansativa e o roteiro dos dias da competição implicava em acordar cedo e dormir tarde para que aproveitássemos o máximo. Na noite de abertura ainda estava assustada com os acontecimentos e a divulgação da prova de campo me deixou um pouco receosa. Mas infra-estrutura que nos foi oferecida, a forma solícita com que as meninas do apoio nos tratavam e a presença da minha mãe me deram segurança pra pensar somente no que era importante.
No primeiro dia, o passeio pelo Pacaembu, pelo Parque do Ibirapuera e pelo Museu de Arte Moderna criou um ar mais descontraído e permitiu a interação entre as pessoas. E depois da prova objetiva estava convicta de que fiz o melhor que pude. Toda a tensão mesmo estava concentrada na prova de campo. Fiquei acordada até tarde no dia anterior pra estudar o roteiro. Entretanto, quando saí do ônibus para o centro de São Paulo, o ar matinal, as construções, as pessoas... Tudo me fez esquecer da competição. O que eu queria mesmo era conhecer, observar e interiorizar tudo aquilo que os meus sentidos e até minha intuição conseguiam captar. Foi impressionante como um lugar de ritmo tão acelerado pôde ser tão mágico. A cada curiosidade que os historiadores e geógrafos, que nos acompanhavam, nos mostravam era nítido o prazer e a vontade de conhecer crescente nos olhos de todos e as canetas não deixavam de registrar nada. Com isso, fazer a produção textual foi fácil.
Enfim, nada pagaria a experiência inesquecível que tivemos, foi único e especial. Eventos como a Viagem do Conhecimento só confirmam a verdade de que estudar vale a pena e que o conhecimento nos leva a lugares inimagináveis."










