A MAIOR OLIMPÍADA DE GEOGRAFIA DO BRASIL
Edição 2010
“Viajar dá um caráter de experiência ao nosso conhecimento e imprime imagens em alto relevo em nossa memória.”
Henry Tuckerman (1813-1871), escritor nascido nos Estados Unidos

07/12/2011

Valores, sementes de uma árvore frondosa

Valores, sementes de uma árvore frondosa

Ao final da cerimônia de premiação da Viagem do Conhecimento 2011, ocorrida no Rio de Janeiro, alguns pais subiram ao palco e contaram um pouco sobre a experiência de ter participado da fase final e também sobre como seus filhos se envolveram com o concurso. Um deles foi Maurício Azevedo Ferreira (foto), pai de  Gabriel Bianchi, de Santa Cruz do Rio Pardo (SP).

Foto: Carolina Paschoal

"Fiquei um tanto cético quando meu filho Gabriel, então com 14 anos, após a publicação do resultado da segunda fase da Viagem do Conhecimento / Desafio National Geographic 2010, diante da sua não classificação, afirmou: 'O ano que vem estarei entre os 20 finalistas'. Pensei: impulsividade de adolescente! 
    Eu não duvidava do meu 'pimpolho', da sua capacidade intelectual, de comprometer-se e empenhar-se. Na verdade, temia por desiludir-se em razão da concorrência, maior que em qualquer vestibular deste país. Silenciei quanto aos meus temores e, de imediato, retruquei: 'Isso mesmo. Se estudar, você consegue'.
    Passados os dias, Gabriel estava agora no primeiro ano do Ensino Médio, vi-o dedicar-se ao colégio, estudando, comprometendo-se com a monitoria de Física, para a qual foi convidado  e apresentando ótimo desempenho em todas as matérias, inclusive Geografia, sem abandonar o futebol, a música e namorada.  
    Eu já havia esquecido, ele não. Foi o incentivador para vários colegas para realizarem a inscrição para Viagem do Conhecimento 2011, embora tenha ouvido de alguns: 'Prá quê?' Foi surdo a estes, debruçou-se sobre as dicas que o site dispunha, buscou outras fontes e com satisfação seguiu as orientações do professor Carlos. Ocultando meu temor, continuava dizer: 'Isso mesmo'. Não poucas vezes disse: 'Vá dormir, pare de estudar', pois relógio se aproximava da meia-noite e no dia seguinte pela manhã teria aula.
    Aprovado na fase local, foi para a regional, na cidade de Bauru, onde mora a prima Laura, que fazia aniversário no mesmo dia.  Prioridade para a prova, o bolo podia esperar e o abraço apertado dado à aniversariante com certeza compensou o atraso para a festa. 
    Um dia qualquer, fim de tarde, telefone toca, atendo e, inesperadamente, a notícia: 'Sou Gabriela, da Viagem do Conhecimento. O senhor é o pai do Gabriel? Ele foi classificado entre os 20 finalistas...'. Fiquei comovido.
    Falar que serão inesquecíveis os dias que passamos no Rio de Janeiro entre 17 e 20 de novembro é pouco. Dias estes proporcionados a mim e ao professor Carlos Henrique pelo Gabriel, um garoto, ou melhor, um homem de 15 anos.
    A ótima estrutura montada, a organização impecável, mas sem ser opressora, sendo até mesmo soft, as sucessivas surpresas, as fantásticas aulas de campo, relatadas a mim pelo Gabriel e os laços surgidos entre os pais e professores. O mais surpreendente: os 20 seletos não se tratavam como concorrentes, mas descobriram-se amigos e identificaram-se mutuamente em razão das preferências e aspirações semelhantes. Foi de causar perplexidade que, após um dia de aula de campo, reuniram-se, trocaram anotações e impressões sobre os pontos discorridos, como se realizassem um trabalho em grupo, sem se preocuparem que haveria uma prova final.
    Gabriel foi um vencedor, ficou entre os 20 e reconheço que o Desafio National Geographic proporcionou a ele um aumento no conhecimento da Geografia e do Rio Janeiro, mas este não foi o maior dividendo. A dedicação, o empenho, escolher estudar ao invés de, simplesmente não fazer nada, como tantos em sua idade. Proporcionou, não só a ele, mas a todos, o surgimento e fortalecimento de valores internos, aquilo que um pai deseja que o filho leve para toda a vida. 

Ou alguém duvida que os bens materiais são passageiros e os do coração duradouros?
    A Viagem do Conhecimento proporcionou muito mais do que conhecimento. Plantou, regou e adubou uma semente no coração de nossos filhos, não só a do estudo, esta é visível e é louvável, mas outra muito mais valiosa, invisível: dedicação, vencer o medo da decepção com o esforço para realizar seus sonhos e cooperação para com aqueles que também buscam os próprios. 
    Tenho certeza de que esta semente frutificará e se transformará em uma arvore frondosa que a muitos concederá abrigo e sombra"

Qual sua opinião sobre o texto acima? Você concorda com o Maurício? 

 

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